
Maria Samara, Samara, Sam, S:
22 anos, Fortaleza/CE, pisciana,
comunicação social, publicidade, UFC, BNB, TTS,
3CG, U2, Chico, Cordel, música para ouvir e dançar,
cinema nacional, literofágica, dúvidas existências, divagações, aventuras, venturas e desventuras.
Mais da mesma:
Nasceu numa noite de quinta-feira,
quase sexta. Tem mania de ligar tudo à
data do seu nascimento. Tem várias
outras manias, mas é melhor não
comentar, vão achar que ela tem
o TOC. Gosta de ler: livros,
revistas, blogs, papeis avulsos,
jornal, bula de remédio, manual
de instrução e pensamentos. Também gosta de escrever, por isso o blog
(oh!). E de cultivar amigos-irmãos-eternos (que pleonasmo!).
Quer plantar uma
árvore, escrever um livro e
principalmente ter um filho.
Tem idéias utópicas para uma
sociedade ideal. Sim, é meio "meio
intelectual, meio de esquerda". Sofre
de uma certa perca de memória
recente e mais ainda da antiga.
Se existe uma coisa que odeia é
esperar. Ela odeia outras coisas,
mas melhor não comentar, pode
faltar espaço. E sempre quis
falar de si em terceira pessoa.
Cá estou também:
:: Chute o Balde
:: Escritas em Flash
:: Fotolog
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Domingo, Maio 27, 2007
Segunda-feira, Maio 21, 2007
Um grande sujeito
Era uma nova família ali se formando e confraternizando. Uma família já estruturada e desestruturada. Com vínculos mais afetivos do que propriamente sanguíneas, e, em suma, vínculos cordiais mais do que qualquer outro.
Com a palavra o ex-tio, que ela nunca chamara de tio e agora não sabia bem como se referir a ele. Pai dos seus primos? Ex-marido de sua tia? Ex-cunhado de sua mãe? Ah, mas, isso não existe, "ex-esposa sim, ex-cunhada nunca", ele disse. Então, ele, aquele que não se sabe como nomear, passou a tarde a falar do pai dela, já falecido. Bom sujeito, altruísta e dedicado, sempre pronto a ajudar os amigos, fazia de tudo para agradar ao próximo. Não era pra menos que na sua missa de Sétimo Dia, a música tocada foi aquela do Roberto que diz "meu amigo de fé, meu irmão camarada... ".
Sabia dos defeitos do pai, pouco lembrados depois de sua morte. Definitivamente não era o ser mais admirável do bairro, quiçá da família, era, no máximo, o mais invejado. Porém era, antes de tudo, um amigo. No sentido mais amplo e mais profundo que a palavra possa ter. De alguma forma ela se identificava com essa faceta do pai, era igualzinha, também não media esforços em benefício de um amigo.
Foi no momento que ele dizia "seu pai, garota, tinha um coração enorme", que o coração dela apertou. Terminaria que nem o pai? Traída por aqueles que tinha mais apreço? Esquecida por todos que dera a mão, o ombro e muitos sorrisos? Lembrada raramente em rodas ocas por ter sido um grande sujeito? Sorriu duplamente deprimida. Por saudades do pai e pela certeza de que o caminho é curto e árduo e as pessoas podem ser egoístas e injustas, no entanto, saudosistas e cordiais.
postado
por: Samara
9:56 PM
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| Segunda-feira, Maio 14, 2007
"A vida é sempre aquela dança
Aonde não se escolhe o par
Por isso às vezes ela cansa
E senta um pouco pra chorar
Que dia! Puxa, que vida danada
Tem tanta calçada pra se caminhar..."
(Umas e outras - Chico Buarque)
postado
por: Samara
9:14 PM
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| Domingo, Maio 06, 2007
Hanson - Does it fill your heart and soul with the roots of rock'n'roll?
Poucas são as bandas que têm a capacidade de fazerem um disco melhor que o anterior. Para mim, a banda Hanson é um desses raros exemplos. Desde que eu os conheço - e isso já faz dez anos e quatro discos de estúdio (sem contar os ao vivo, edições especiais e afins) -, eles sempre me surpreenderam positivamente com a evolução e o aperfeiçoamento de suas canções a cada trabalho.
Explicação para isso? Antes de tudo, eu diria que é o amor que eles têm pela música, uma paixão que os movem a cultivar, com dedicação, seus talentos. Meio piegas essa minha afirmação, mas basta conhecer um pouco da trajetória desses irmãos do interior de Oklahoma (EUA) para constatar o fato. Outro motivo, esse mais racional, é o próprio amadurecimento musical dos garotos, que começaram a fazer barulho como banda no começo da década de 90, quando ainda nem tinham uma década de vida. Nos anos seguintes lançaram dois cds independentes e só em 1997, já entrando na adolescência, eles fecharam contrato com uma
gravadora. Pronto, aí veio Mmmbop e o estouro pelo mundo, que todos já devem saber.
O que muitos não sabem é que existe vida e muita música boa pós-Mmmbop e além dos rostinhos bonitos desses já pais de família (sim, apesar de ainda estarem na casa dos 20 e poucos anos, os três já estão casados e somente o mais novo ainda não teve filhos - são precoces até nisso!).
Também não sabem que eles, para poderem ter mais liberdade na concepção de seu trabalho, romperam com esquema das grandes gravadoras e voltaram a independência, através da criação de sua própria gravadora, a 3 Car Garage - referência aos tempos que os três faziam música na garagem de casa. E só assim eles puderem finalizar, depois de três anos e de muita luta com sua gravadora anterior, o álbum Underneath (2004). Toda esse drama foi registrado no documentário Strong Enough to Break que, durante o ano passado, foi apresentado em faculdades e festivais de cinema, com intuito de discutir as dificuldades de se fazer música hoje em dia e os novos rumos da indústria fonográfica.
Foi nesse clima independente que nasceu o novo trabalho da banda, o The Walk (2007). "Ninguém sabe o que o futuro reserva pro Hanson ou pra indústria fonográfica. Mas nós tínhamos que fazer alguma coisa. Seguindo sozinhos, não há garantia de sucesso, mas é um risco que estamos dispostos a correr", diz Zac Hanson, o baterista da banda, logo no começo do novo documentário do trio, o Taking The Walk, que mostra os bastidores da gravação do novo disco, e está sendo lançado por episódios no iTunes, totalmente grátis, na mesma forma que aconteceu com o Strong Enough to Break.
Logo nas primeiras audições do novo álbum do Hanson, para aquelas pessoas que conhecem minimamente a banda, o que chama a atenção é a grande quantidade de músicas cantadas por Zac - já que Taylor, o tecladista, sempre foi o vocalista principal da banda. As canções In a Way e Fire On The Mountain (que, diga-se de passagem, estão no meu top 5) são, como outras cinco canções do cd (se contarmos com as duas canções bônus da edição japonesa, incluindo aí a primeira música de trabalho do cd), cantadas por Zac, comprovando seu potencial para vocalista (mesmo assim, a minha preferência ainda é por Taylor, só pra constar). É o próprio Zac que canta a profunda e reflexiva The Walk, faixa que dar nome ao disco e molda todo o seu conceito.
Em The Walk, as canções seguem numa onda mais melódica, enquanto as letras seguem emocionando e refletindo sobre a vida, o amor, a morte e a própria arte da música. Em geral essas letras são tristes e fortes, mas também tem aquelas que cantam a esperança e o encanto dos sentimentos puros. Em todas as canções, como de costume, a harmonia vocal dos irmãos estão em destaque, aparece como se fosse um instrumento a mais em ação.
As lindas baladas Go e Georgia e levada soul de Been There Before (metalinguagem reverenciando as raízes do rock'n'roll) compõe a parte mais amena do disco. Já Your Illusion, One e Watch Over Me são as mais sombrias. Running Man, Tearing It Down, Something Going Round e a excelente Blue Sky dão o tom rockão do cd.
O disco além de mostrar uma banda madura musicalmente, também expõe sua faceta socialmente engajada. Durante a produção do álbum, os irmãos viajaram para África do Sul a fim de se envolverem na campanha contra a proliferação da AIDS na região. Lá eles gravaram com um coral de jovens, que pode ser ouvido nos intervalos ou nas próprias faixas do disco. Gravaram também o clipe da música Great Divide, cuja venda de downloads foi revertida para a causa africana.
Alguns estranham a demora entre um disco e outro do Hanson (tirando a do Underneath, explicada pelos problemas com a antiga gravadora), mas hiato criativo é que não é, já que volta e meia acabam vazando músicas que não entraram em nenhum disco (só eu tenho uns três cds com essas músicas extras), e eles também sempre estão lançando algum trabalho especial - para o desespero das fãs brasileira, já que, devido a independência, está cada vez mais difícil esses materiais chegarem por aqui. O fato é que pelo menos tanta demora é muito bem compensada com discos cada vez melhores. The Walk, por exemplo, acaba de ocupar o posto de meu disco preferido da banda.
Site official: www.hanson.net
Myspace: www.myspace.com/hansonmusic
Youtube: www.youtube.com/profile?user=itzhanson
Strong Enough to Break: www.strongenoughtobreak.com
Taking The Walk: www.takingthewalk.com
Videoclipe de Great Divide: www.youtube.com/watch?v=dcifAzv8-bU
Videoclipe de Go: www.youtube.com/watch?v=mPAeOlTvcmo
p.s. Faz um tempo que tinha escrito esse texto, mas resolvi postá-lo só agora por causa da data. Hoje, lá em Tulsa/OK, cidade natal da banda, é o Hanson's day. Inclusive, ontem lá mesmo em Tulsa, tendo como platéia membros do fã clube oficial, eles gravaram um cd acústico, com músicas do Middle Of Nowhere (1997), numa comemoração pelos dez anos de lançamento desse famigerado álbum. Alguém duvida que eu queria muito esta lá?
p.p.s. Sei que o texto ficou enorme, mas, se pelo menos uma pessoa se interessar, e o leia e o entenda, já me fico satisfeita.
postado
por: Samara
1:33 AM
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