Tudo preto no branco ou branco no preto


Maria Samara, Samara, Sam, S:
21 anos, Fortaleza/CE, pisciana, comunicação social, publicidade, Literofágicos, Marv, BNB, UFC, TTS, N.E.N.P - A.V.E.U.F, 3CG, U2, Chico, Cordel, música para ouvir e dançar, cinema nacional, muitos livros, dúvidas existências, divagações, aventuras, venturas e desventuras.

Mais da mesma:
Nasceu numa noite de quinta-feira, quase sexta. Tem mania de ligar tudo à data do seu nascimento. Tem várias outras manias, mas é melhor não comentar, vão achar que ela tem o TOC. Gosta de ler: livros, revistas, blogs, papeis avulsos, jornal, bula de remédio, manual de instrução e pensamentos. Também gosta de escrever, por isso o blog (oh!). E de cultivar amigos-irmãos-eternos (que pleonasmo!). Quer plantar uma árvore, escrever um livro e principalmente ter um filho. Tem idéias utópicas para uma sociedade ideal. Sim, é meio "meio intelectual, meio de esquerda". Sofre de uma certa perca de memória recente e mais ainda da antiga. Se existe uma coisa que odeia é esperar. Ela odeia outras coisas, mas melhor não comentar, pode faltar espaço. E sempre quis falar de si em terceira pessoa.

Cá estou também:

:: Chute o Balde

:: Escritas em Flash






Quarta-feira, Agosto 23, 2006


Sobre viagens de baixo orçamento


Acho que nasci procurando o infinito,
e acho que nasci sem muita paciência


Minha turma da faculdade é adapta de viagens a custo mínimos, aquelas na cara e na coragem. Nossa primeira viagem juntos já deixou isso claro, quase 20 pessoas numa casa em Caponga (litoral cearense). A casa era de um tio de uma amiga, portanto, sem nenhum custo. Nossos gastos seriam com transporte e comida. Inauguramos em Caponga o nosso cardápio básico: leite, pão, macarrão, salsicha e refrigerante. Quando são ocasiões especiais, ou quando a nossa condição financeira está boa (tipo, alguém conseguiu estágio), entram em cena até pratos chiquerrimos da culinária italiana, além de molho branco, feijoada e até sobremesas!!
Nunca mais conseguimos juntar 20 indivíduos nessas condições. O número de pessoas dispostas a encarar essas viagens (em todos os sentidos) foi diminuído com o passar dos semestres, hoje somos um grupo fiel (ou nem tanto) de umas 7 pessoas, as vezes mais, as vezes menos.
Em outra ocasião passamos uma semana em Lagoinha, com direito a andar de barco e fazer um tour turístico pela região de pau de arara, e nossos gastos não passaram de 40 reais para cada. Juro!
Já percorremos boa parte do território cearense nesse esquema, aliás, alguns até ultrapassaram as fronteira do estado, levando esse espírito aventureiro e econômico na bagagem. A única coisa que não costuma faltar nessas viagens são momentos únicos e lúdicos, momentos de diversão e até de reflexão. Só vivenciando para crer. Aliás, agora me ocorreu a idéia de escrever um livro de como se viajar com pouco dinheiro. Preciso pensar nisso com carinho, afinal, isso ainda pode financiar minhas futuras excursões.

Essa introdução toda foi só pra tentar responder as constantes perguntas (antes que perguntem: não, eu não sou louca!) que possa haver a respeito da minha próxima viagem de baixo orçamento (e qual não foi?). Dessa vez o orçamento nem é tão baixo, mas pra onde vou e por tudo que pretendo fazer, vai sair bem em conta. Dessa vez nenhum amigo de faculdade vai comigo, viajo sozinha, mas nos destinos muitos amigos me aguardam para dias que prometem serem únicos e lúdicos. Durante a viagem ou na volta, conto mais detalhes.

CE-SP-BH-SP-CE

postado por: Samara 3:05 PM

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Terça-feira, Agosto 22, 2006


Numa bela manhã de domingo


Brasil x Portugal


Amo!


Tem como não amar?




Enquanto isso numa sala de cinema...

Na tarde desse mesmo domingo, vi "Obrigado Por Fumar", filme cheio de sarcasmo e ironia. Uma sátira engraçada e inteligente da hipocrisia do capitalismo e de uma sociedade cada vez mais individualista. Mesmo repetindo as piadas no decorrer da história e exagerando em outras, o filme não perde a graça. Destaque também pra trilha sonora e para abertura com embalagens de cigarro. É muito bom quando você topar ir ao cinema, só pela companhia dos amigos, sem nenhuma expectativa, e acaba assistindo um ótimo filme.

postado por: Samara 10:30 AM

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Quinta-feira, Agosto 17, 2006


Ilusão

Finalmente parece que agora o universo resolveu conspirar a meu favor. Mas eu sempre acho que a qualquer momento, qualquer coisa pode dar errada, sem aviso prévio, sem motivo, sem pena. Tenho receio de tanta felicidade em potencial junta.
A realidade sempre dá um jeito de mostrar que não se vive de ilusões. E eu até acho bom, não gosto de ser enganada, e muito menos de me enganar. Criam-se ilusões na busca de esperança, na tentativa de não sofrer, para se evitar uma realidade indesejável. Ilusões são isso mesmo, enganações, um disfarce do real, em outras palavras: ilusões são mentiras bem apessoadas.

postado por: Samara 2:53 PM

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Segunda-feira, Agosto 14, 2006


A guerra é aqui

Não encheremos mais o peito em frente a TV quando anunciarem a Guerra no Líbano, a interminável luta entre palestinos e israelenses, nem muito menos os ataques terroristas ao ocidente, para dizer: "Ainda bem que no Brasil não tem guerra". Digam que a guerra não é aqui para as recentes vítimas do PCC.

postado por: Samara 3:12 PM

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Quinta-feira, Agosto 10, 2006


Anos dourados

A dor de cabeça da noite anterior ainda persistia. A solução? Reclusão. Não ia adiantar insistirem, não sairia de casa, não falaria com ninguém. Claro que essa minha decisão só durou até o primeiro toque do telefone. Inevitável. Pós-meio-dia, já estava encarando o mundo de novo, automaticamente cumprindo a sentença da sucessão dos dias.
No ônibus, a minha trilha sonora exclusiva e particular contrasta com a do ambiente. Passa o menino das balas, falante e reluzente, me fascina. Recuso as balas, finjo que não estou nem aí, todos sabem que internamente continuo cantarolando minha trilha. Mal sabem eles o que tenho em mente. Penso se alguém realmente se importa com o menino e com tantos outros fadados ao mesmo cotidiano. Penso que daria uma história, que daria um filme. Guardo os planos para mim. Futuramente. Sinto-me egoísta por isso, me sinto culpada por tudo. Então, culpo os outros, e finjo que está tudo bem, mas eu não acredito. Quem sabe.
No percurso a pé, pego uma pequena chuva, foi suficiente, ainda existe natureza. Dentro do escritório não vejo o tempo passar, já não sei mais o que são tardes. Na saída me despeço de um colega que olhava nostálgico para o céu. Ele deve também senti a ausência vespertina como eu, penso. Digo "tchau" e ele reponde com: "O céu essas horas é dourado". Por reflexo encaro o céu, ele tem razão, o sol do fim de tarde faz com que até o cinza das vigas do prédio apresentem tons dourados. Antes de dar lugar à noite, a tarde se despede em grande estilo. Um pôr do sol nunca é igual a outro.
Nesse dia que queria ficar reclusa, nada melhor do que uma sessão de cinema. Cultivando a solidão de uma quarta-feira à noite tento escapar do frio do shopping center, em vão. Até as pessoas estão no clima do ar condicionado. Dentro da sala, muita luz, cadê o escurinho acolhedor do cinema? Só mesmo quando a projeção começou, e aí já era tarde, já estava tensa com os meus vizinhos de poltronas: uma mulher falante e um homem comendo pipoca. Se algum celular tocasse estava completo a trio do terror.
O filme começa e logo na abertura com fotos da época da ditadura, eu chego à conclusão que se eu pudesse escolher em qual época viver, tirando a atual, escolheria os anos 60. Pós-anos dourados. Ok, a ditadura e afins não é nada atraente, mas todo resto sim. Tento adivinhar se ia gostar de jovem guarda, bossa nova ou do tropicalismo. Minha mãe preferia a jovem guarda, mas a gente não tem muita coisa em comum mesmo. E também se gostasse de jovem guarda tenderia a ser apolítica. Mas também não sei se seria uma jovem militante, me falta coragem pra tanto. Um meio terno, quem sabe, sem lenço, nem documento, viva a bossa-sa-sa! Viva a palhoça-ça-ça! Eu? Tropicalista? Vinicius e Tom me são mais atraentes que Caetano e Gil, mas não dispenso os baianos, nem Torquato. Mas como também sou apenas uma moça latina americana, o Pessoal do Ceará, Belchior, Fagner e cia também poderiam fazer minha cabeça. Só tenho a certeza de que seria fã de Chico Buarque, em qualquer geração pós "A Banda".
E meu pai? Conheci tão pouco dos gostos de meu pai. Não deu tempo de saber o que ele fazia nessa época, o que ouvia quando jovem, que ideais tinhas. Sei que lutou para combater seu destino, era menino pobre do interior do Rio Grande do Norte, mas como dizem por aí "venceu na vida", até certo ponto, pelo menos. Pensar no meu pai me deixa melancólica. Eu também ficava triste quando minha mãe me contava suas histórias de quando era mais nova e cantava para mim as canções que marcaram sua infância. De certa forma eu me sentia culpada, como se eu tivesse roubado sua infância e juventude. Como se pelo meu nascimento eu a tivesse vetado dos prazeres de sua época. E assim, ainda criança, eu cultiva a melancolia e a nostalgia pelos outros. Aliás, sabiam que a melancolia era considerada um pecado capital pela Igreja Católica? Pois é, descobri essa semana. Depois a melancolia foi substituída pela preguiça. Vai entender. De qualquer forma, ainda peco.
De volta ao filme, Zuzu Angel, adorei! Filmes que se passam na época do regime militar são comuns no cinema brasileiro, mas sempre tem uma nova ótica de se ver e sentir o período. Esse é a visão de Zuzu, mãe de um militante político. Já sabia a história (quem não sabe?), a graça não é saber o acontecimento, mas sim como ele é contato.
Saí do shopping e fui recebida pela Av. Santos Dumont com um vento forte e seco no rosto. É Fortaleza, claramente, é Fortaleza, eu sinto pelo cheiro. Engraçado, quando chego ao terminal e desço do ônibus eu sinto por instante o cheiro de Belo Horizonte. Mil lembranças. Chove fino. Dentro do outro ônibus eu sinto a aproximação de casa, é o cheiro de mato molhado vindo do Parque do Cocó.

postado por: Samara 4:30 PM

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Terça-feira, Agosto 08, 2006


Salvem o Corinthians!




Sorte do orkut

06 de agosto de 2006:
Se seus desejos não forem extravagantes, eles serão realizados.

07 de agosto de 2006:
Você viajará bastante, seja a lazer ou a trabalho.

08 de agosto de 2006:
Você tem um novo negócio importante em fase de desenvolvimento.


Sabe, depois de uns acontecimentos da noite de ontem, eu comecei a considerar bastante essa tal sorte que orkut nos lança todo dia. O engraçado é que a sorte de hoje eu já tive umas 5 vezes. Sinal de que eu sempre estou desenvolvendo algo importante?


Nota: As sortes do orkut não têm necessariamente a ver com a salvação do Corinthians.



postado por: Samara 11:09 AM

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Sábado, Agosto 05, 2006



Quem foi que disse que o dinheiro não traz felicidade?


O pai preocupado com o filho o indagada porque ele, que tem tudo, anda tão jururu. O filho, melancólico, o diz que há coisas que o dinheiro não obtém. O pai discorda, e diz que percorreu toda a enciclopédia procurando algo que não pudesse comprar e não achou. Então, o filho diz que a moça que ama vai mudar de país e ele só terá alguns minutos a sós com ela, antes que ela parta. O pai diz para que ele se declare e a peça em casamento, mas o rapaz diz que o tempo não é suficiente. Chegado o dia do derradeiro encontro, o rapaz está num carro junto com a amada para acompanhá-la até onde já se encontrava seus familiares para a despedida. O trajeto era curto, em poucos minutos chegariam ao seu destino. A moça estava ansiosa e mandava o motorista correr, quando, de repente, do nada, todas as ruas ficam obstruídas, tudo congestionado, uma grande confusão. O rapaz, então, teve tempo suficiente para conquistar a moça e assim viverem felizes para sempre. O que ele não imaginava é que toda aquela situação na rua foi encomendada pelo seu pai, que teve que desembolsar algumas boas pratas. (História do conto Mamon e o arqueiro, de O. Henry)


Sem hipocrisias ou demagogias, o dinheiro pode não ser tudo, mas pode transformar o nada em tudo. Ah, se hoje eu tivesse uns tostões a mais...

postado por: Samara 10:48 PM

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Sexta-feira, Agosto 04, 2006



Minha Vida Sem Mim. Esse é o nome do filme que me fez chorar hoje, aliás, o segundo filme que consegue esse feito durante os meus 21 anos de sonho e de sangue e de américa do sul (não resistir a referência a Belchior). Sendo que o primeiro eu vi há mais de 10 anos, portanto, nada mais a declarar.


Deixo vocês com um poema de Quintana que veio na correspondência feliz de hoje:

Da Felicidade
(Mário Quintana)

Quantas vezes a gente, em busca de aventura
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!


p.s. Obrigada, Uóli! ;o*

postado por: Samara 2:55 PM

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Quarta-feira, Agosto 02, 2006


Confissões


Sou hoje uma pessoa que quase chora ouvindo Minha História, de Chico Buarque. Levando-se em conta o teor melancólico da canção e que a voz do Chico soa triste por essência, mesmo quando a canção pretende ser irônica ou feliz, é justificado esse meu quase arrombo de sensibilidade musical explicita. Portanto, eu continuo me saindo bem no papel de (pseudo) Rainha do Gelo.

Abandonei a leitura de Histórias de Amor e comecei a ler O Caso Morel, de Rubem Fonseca. Histórias de Amor é uma coletânea de contos e crônicas de amor (obviamente), estava até gostando dela, mas a questão é que sou incapaz de ler dois livros ao mesmo tempo e não resisto a um Rubem Fonseca dando sopa assim. Invejo (e muito) as pessoas com o dom da leitura simultânea, até porque estou com uns quatro livros a minha espera.

Percebi que o tema Amor anda recorrente nas minhas escolhas literárias e cinematográficas. Aliás, Lado a Lado do Amor é um filme muito chato, nem minha irmã gostou!

Gostaria de escrever aqui no blog posts engraçados, irônicos e espirituosos ao invés de posts melancólicos, enfadonhos e jururus.

Gostaria também de não usar em demasia adjetivos, e caso seja realmente necessário, aumentar meu humilde vocabulário e utilizar adjetivos menos clichês. Veja como é difícil, ou melhor, complicado, árduo, abstruso!


p.s. Minha única correspondência de hoje dizia: "Renove agora e ganhe um cd do Charles Brown Jr (Sim, veio escrito Charles, e não Charlie)". Resultado: acabo de desistir de vez da assinatura da revista. Cd da banda do (argh!) Chorão foi a gota d'água!

postado por: Samara 8:19 PM

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